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Lykke Li e o indie no filme polêmico “Azul É a Cor Mais Quente”

Lúcio Ribeiro

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* Um dos grandes filmes do ano, o encantador “Azul É a Cor Mais Quente'' (“Blue Is the Warmest Color'', ou, no original, “La Vie D'Adèle''), produção francesa em cartaz no Brasil faz uns 10 dias, vai muito além dos famoooooooooooooosos e épicos nove minutos da cena de amor explícito e REAL entre as duas garotas protagonistas da história.

O filme, que ganhou a Palma de Ouro no festival de Cannes neste ano e tem três horas de duração, é costurado por citações filosóficas sem ser chato e por uma devastadora história de amor sublime seguida de desilusão trágica. Céu e inferno na cabeça de uma garota normal de 17 anos, estudante normal de uma cidade normal (Lille) da França. E “Azul É a Cor Mais Quente'' é tudo, menos um filme normal.

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Quando a personagem principal, Adèle Exarchopoulos (Adèle também no filme), faz 18 anos, o filme presta um serviço à música independente. “Azul É a Cor Mais Quente'' desencavou uma música da cantora sueca Lykke Li de 2010, “I Follow Rivers'', em uma versão remix lado B que ficou mais famosa que a original, quando foi lançada. “I Follow Rivers (The Magician Remix)'', eletronicamente mais suingada e pontuada por um piano delicioso, deixou a original de Lykke Li, bonita também, “devagar demais'', mais dramática, menos festa.

A música toca quase inteira em “Azul É a Cor Mais Quente''. Participa do filme muito mais que apenas como uma trilha sonora e já li resenhas dizendo que elas, música e cena em si, resumem o filme. Na festinha de aniversário de Adèle, a menina canta e dança a música de Lykke Li como um rito de passagem. Dela para a maioridade. E do filme para sua parte mais tensa. Maravilhoso.

“I Follow Rivers'', no remix desse tal The Magician, depois lançada como single solo no final de 2011, foi mais longe nas paradas francesas e italianas mais até que a do álbum de Lykke Li. Agora, com o sucesso do filme ganhador de Cannes em maio, voltou aos charts de lugares como Bélgica e Holanda.

Agora eu entendi melhor a discussão em blogs ingleses e americanos por volta de setembro/outubro quando o filme estava estreando no Reino Unido e nos EUA. O trailer americano trazia a versão remixada. O britânico, a original. Virou uma disputa de gosto-não gosto das duas partes.

Abaixo, parte da emocionante cena protagonizada por “I Follow Rivers'' em “Azul É a Cor Mais Quente''. Dançada pela linda Adèle. Depois, a versão toda da música no remix do Magician.

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