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Arquivo : Seattle

O rolezinho do Foster the People nas terras dos hipsters
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Lúcio Ribeiro

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Em vias de lançar seu novo álbum em março, dia 14, o Foster the People começou a fazer shows bem intimistas para testar algumas das faixas de “Supermodel”, a nova aposta sonora da banda californiana.

O grupo tocou nas últimas duas noites nas cidades de Seattle e Portland, talvez os lugares mais hipsters fora o Brooklyn. A Seattle de Kurt Cobain. A Portland de Portlandia, a série descolada-atrapalhada que a Popload ama pelo simples fato de passar o tempo todo cutucando/homenageando (depende do ponto de vista) os vegans, yuppies, os neo-indies, os hipsters naturebas e todas as outras vertentes dos moradores esquisitões da cidade.

Nos dois shows, feitos em clubinhos pequenos, o FtP mandou diversas faixas novas ao vivo e a maioria com títulos gozados, tipo “Pseudologia Fantastica”, “A Beginner’s Guide to Destroying the Moon” e “Goats in Trees”. Também tocaram “Nevermind”, “Fire Scape” e “Coming of Age”, o single que a gente já conhece, cheio de “uh uh uhs”. Ou seja, tocaram metade do disco, que vai ter 12 faixas.

Algumas clássicas tipo “Pumped up Kicks” e “Helena Beat” rechearam o setlist. Vi muita gente – conhecida ou não – falando super bem dos shows nas redes sociais. E o Mark Foster já contou que esse álbum novo foi guiado especialmente pelas guitarras. Será? A banda anunciou um show gratuito em Los Angeles para quinta agora e está confirmada em alguns festivais como Coachella e Governors Ball.

Abaixo alguns recortes visuais e sonoros dos dois shows recentes e os setlists de ambos.

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Dia Nirvana. O histórico show em Seattle, de 93, é lançado oficialmente
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Lúcio Ribeiro

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A Popload segue com seu “Nirvana Day”, destacando os 20 anos do lançamento de “In Utero”, terceiro disco de carreira da banda de Seattle, que ganha relançamento bombator nesta semana com novas mixagens e lançamentos de faixas demos e instrumentais.

No pacote, tem o CD/DVD de um dos mais famosos shows da carreira do Nirvana. Realizado no Pier 48, em Seattle, em 13 de dezembro de 1993, o show foi mostrado pela MTV na época, quando a “banda da cidade” era a maior do mundo. A apresentação sai agora retrabalhada na íntegra e com extras da turnê europeia do grupo e alguns ensaios.

A Popload destaca a insana “Scentless Apprentice”, extraída do show histórico, melhor conhecido como “Live and Loud”.

* “Live and Loud”, faixas:
1. Radio Friendly Unit Shifter
2. Drain You
3. Breed
4. Serve The Servants
5. Rape Me
6. Sliver
7. Pennyroyal Tea
8. Scentless Apprentice
9. All Apologies
10. Heart-Shaped Box
11. Blew
12. The Man Who Sold The World
13. School
14. Come As You Are
15. Lithium
16. About a Girl
17. Endless, Nameless

Extras
18. Very Ape (Ensaio do Live & Loud)
19. Radio Friendly Unit Shifter (Ensaio do Live & Loud)
20. Rape Me (Ensaio do Live & Loud)
21. Pennyroyal Tea (Ensaio do Live & Loud)
22. Heart-Shaped Box (Original + Versão do Diretor)
23. Rape Me (Ao vivo no “Nulle Part Ailleurs – Paris, França)
24. Pennyroyal Tea (Ao vivo no Nulle Part Ailleurs – Paris, França)
25. Drain You” (Ao vivo no “Nulle Part Ailleurs – Paris, França)
26. Serve The Servants (Ao vivo no Tunnel – Roma, Itália)
27. Radio Friendly Unit Shifter (Ao vivo em Munique, na Alemanha)
28. My Best Friend’s Girl (Ao vivo em Munique, na Alemanha)
29. Drain You (Ao vivo em Munique, na Alemanha)


Sério: Paul McCartney e Nirvana fazem show em Seattle
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Lúcio Ribeiro

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Paul McCartney fez uma parada na icônica cidade de Seattle no último sábado, dando sequência ao seu giro mundial com a turnê “Out There”, que teve início no Brasil dois meses atrás.

O ex-beatle tocou em um estádio de beisebol e reservou a parte final do show para receber os membros remanescentes (ou sobreviventes) do Nirvana. Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear dividiram o palco com a lenda viva britânica em nada menos que 7 músicas!

Além de tocarem a faixa “Cut Me Some Slack”, lançada no final do ano passado especialmente para o documentário “Sound City”, produzido por Dave Grohl, Macca e o Nirvana tocaram juntos as canções “Get Back”, “Long Tall Sally”, “Helter Skelter”, “Golden Slumbers”, “Carry That Weight” e “The End”. Certamente o barulho chegou ao Kurt…


Começa hoje, com 127 bandas, o emergente Sasquatch, um festival “monstruoso” e de visual absurdo
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Lúcio Ribeiro

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* Popload em Seattle, indo para Quincy, WA

* Mais sobre o Sasquatch, festival que começa logo mais no espetacular Gorge Amphitheatre, um desfiladeiro entrecortado pelo rio Columbia, e só termina na segunda-feira à noite, por causa do feriadão americano.

Escrevi um textão hoje que foi publicado na Ilustrada, da Folha de S.Paulo, e recoloco ele aqui, na íntegra, aproveitando a não-limitação de espaço que temos aqui na internet.

A parada desse festival é a seguinte:

* Alternativa para os alternativos, começa nesta sexta-feira às 4 da tarde (8 da noite no Brasil), em Quincy, no Estado de Washington, no extremo noroeste dos EUA, o Sasquatch Festival, um dos eventos musicais que mais cresce em território americano, hoje em dia o país dos festivais. Até 2000, quase não tinha nenhum. Só experimentos que ficaram pelo caminho e sem regularidade, tipo Lollapalooza, Woodstock e outros, não botando nesta conta a Warped Tour. Festival gigante, sempre foi, coisa de inglês.

Com um visual mais bonito que o do Coachella, uma escalação mais bem selecionada (do ponto de vista independente) que o Lollapalooza de Chicago, o Sasquatch Festival acontece até segunda-feira próxima, com quatro dias, quatro palcos e 127 atrações invadindo o feriado do Memorial Day, dedicado aos combatentes de guerra americanos.

Conhecido como o festival ianque mais “paz e amor” e de “boas vibrações” (isso desde bem antes de a maconha ser legalizada para uso recreativo no Estado), o Sasquatch acontece numa região que dista perto de três horas de carro de Seattle e um pouco mais que isso de Portland (Oregon), duas das cidades indies mais vivas dos EUA.

As bandas tocam na cercania paradisíaca onde fica o Gorge Amphitheatre, área para eventos que tem como cenário o belo vale do rio Columbia, com seus desfiladeiros e gramados. The Who e David Bowie já se apresentaram no lugar. O Lollapalooza, quando era itinerante nos anos 90, passou por lá. E o Pearl Jam já lançou um disco ao vivo gravado no Gorge Amphitheatre.
O Sasquatch começou em 2002 com um dia de duração e um elenco de atrações que não ia muito além de Jack Johnson e Ben Harper e um par de outros nomes pequenos.

Sasquatch, o nome, vem da lenda local, é uma criatura selvagem que habita as florestas frias e soturnas de árvores altas desta parte dos EUA e até o Canadá. É tipo um macaco gigante, que vira e mexe é “visto”, caçado, sai nos jornais depoimentos. Pessoas juram que já encontraram um Sasquatch, mas nunca conseguiram capturá-lo. No Brasil, é conhecido como Pé-Grande. Dizem que ele tem parentesco com o “Abominável Homem das Neves” do Tibet. Expedições já saíram à caça do homem-macaco. Mas sempre voltaram de mãos vazias.

O Sasquatch Festival tem cinco palcos, todos com referências à “fera”: Sasquatch, Bigfoot, El Chupacabra, Yeti e Cthulhu.

Em fevereiro deste ano, uma semana depois de anunciar sua centenária lista de bandas, o festival esgotou seus cerca de 35 mil ingressos (tamanho indie perto dos 80 mil/dia do Coachella) em pouco mais de meia hora.
As atrações 2013, carregada de rock mas que também vai do eletrônico fino ao hip hop desbocado, estão encabeçadas por bandas que são consideradas “médias” em lista de outros grandes festivais americanos, tipo as locais Postal Service e Macklemore & Ryan Lewis (dupla cada vez mais gigante na cena hip hop mundial), o indie-afro nova-iorquino do Vampire Weekend, experimentalismo islandês do Sigur Rós e o folk britânico do Mumford & Sons.

Mas é no recheio que o Sasquatch brilha. O Sasquatch é um dos poucos festivais em que as pessoas olham os headliners e decidem se vão ou não. Eles vão pelas bandas de meio de lista para baixo. É característica do festival.

O delicado grupo The XX, os veteranos Built to Spill e Elvis Costello, mais Tame Impala, Azealia Banks, Arctic Monkeys com músicas novas, Andrew Bird, The Lumineers, Edward Sharpe, Divine Fits, Devendra Banhart e Father John Misty estão entre as muitas atrações deste ano.

E a gente vai contar um pouco aqui na Popload como está sendo e como foi o Sasquatch 2013.

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Popload em Seattle. O maior festival de folk do mundo, o mais bonito festival indie do mundo e a Emma Watson
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Lúcio Ribeiro

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The city where punk broke.

* Coachella? Lollapalooza Chicago? Bah! Amanhã começa o Sasquatch Festival, no desfiladeiro do rio Columbia. Quatro dias, 127 bandas, visual doido e, você não sabe, aqui no estado de Washington foi legalizado o uso recreativo da…

* Você acha que o Brooklyn, NYC, é folk, mas neste final de semana prolongado nos EUA (feriado do Memorial Day na segunda), enquanto os indies da cidade vão para o Sasquatch, acontece no Seattle Center o gigantesco 42º Annual Northwest Folklife Festival, que mostra o estilo de vida folk não só na música como na relação com a natureza, com a cidade, com a humanidade, com os peixes. É sério. 250 mil pessoas costumam circular por Seattle por causa desse festival. Tirando o grunge sujinho, mas nem tanto, tudo é folk nesse lado noroeste dos EUA. Tem festival da cerveja folk, torneio de pesca folk, o folk e os animais desamparados, as comidas folk, palestra sobre instrumentos de corda para o folk, dança folk e, claro, a música folk em apresentações. Uma das bandas mais festejadas a tocar no Northwest Folklife Festival é a SHEBEAR, banda indie(folk) que lembra mais o Passion Pit que o Fleet Foxes, por exemplo. Ó:

* Acontece ainda em Seattle o International Film Festival, com quase um mês de duração e que acaba em 9 de junho com o já famoso filme novo da Sofia Coppola, “The Bing Ring”, com a Emma Watson do Harry Potter no papel de líder de um grupo de meninas que vasculham redes sociais para saber onde estão as celebridades exibidas para depois roubar a casa delas. Você sabe o que se quer dizer com “galera exibida das redes sociais”, né? Um caminhão de filmes novos e “especiais” estão sendo exibidos no SIFF. Por exemplo, o piloto de duas horas de “Twin Peaks”, a série do David Lynch dos anos 90 que mudou a história da televisão. Fora do festival, estreia amanhã na cidade o tal famoso filme sobre o guitarrista trágico Jeff Buckley, “Greetings from Tim Buckley”. O filme mostra romantizados os dias antes da apresentação de Jeff em um concerto-tributo ao pai, também músico, que aconteceu em 1991. Vou tentar ver esse, se der.

* Atração do Sasquatch, que começa amanhã, a banda indie cool de Nova York (Brooklyn, onde mais?) Caveman, tipo Grizzly Bear, lançou nesta semana o vídeo para a bela música nova “In the City”. A música está no balaladinho segundo disco deles, que leva o nome da banda. O vídeo é meio crazyshit, mas bem estrelado, pela atriz Julia Stiles e pelo Fran Kranz, que trabalhou em “Donnie Darko”, entre outros. Vale a olhada. E principalmente a ouvida.

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Popload em Seattle. Sabe o Sasquatch? Não o monstro, o festival…
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Lúcio Ribeiro

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* Here I am, now. Entertain me, Kurt.

Estátua de Jimi Hendrix, filho de Seattle, em rua do bairro hippie Capitol Hill, na cidade do grunge

A Popload resolveu dar um “pulinho” na terra que mudou a história da música dos anos 90 para acompanhar o festival que está mudando a história dos festivais dos anos 10. Sabe o Coachella? Sabe o Lollapalooza Chicago? Então…
A partir de sexta, por quatro dias, acontece o Sasquatch Festival, na região de Quincy, estado de Washington, entre duas e três horas de Seattle e um pouco mais de Portland, já no Oregon.

Realizado “perto” de duas das cenas roqueiras mais legais nos EUA, o Sasquatch tem o considerado, não só por mim, melhor line-up de festival americano no ano. O melhor visual (Ok, Califórnia?). A melhor vibe (dizem. É minha primeira vez). E, pela primeira vez, esgotou seus ingressos em absurdos 80 minutos.
Nada mal para um festival que começou besta com Jack Johnson e Ben Harper em 2002 e foi crescendo, crescendo…

Vamos falar bastante do Sasquatch e suas “peculiaridades” em posts que virão. O line-up deste ano traz Ariel Pink, Matthew Dear, Red Fang, Death Grips, Macklemore & Ryan Lewis, o “nosso” The XX, Postal Service, Sigur Rós, Vampire Weekend, Elvis Costello, Arctic Monkeys, Andrew Bird, Tame Impala, Father John Misty, Built to Spill, Black Rebel Motorcycle Club, Grimes, Bloc Party, Devendra Banhart, Peace, Mumford & Sons, Lumineers, Solange, Divine Fits, Dirty Projectors, Totally Enormous Distinct Dinosaurs, Cake, Primus, Imagine Dragons, DIIV, Presets, Empire of the Sun, Alt-J, Youth Lagoon, Japandroids e mais uns outros 50 nomes.

* Bom, estou chegando. Depois tem mais.

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Holy s***! Jornal de Seattle publica fotos do “local do crime” no dia em que corpo de Kurt Cobain foi encontrado
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Lúcio Ribeiro

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Em abril de 1994, o mundo ficou chocado com a morte de um certo Kurt Cobain, líder da maior banda do planeta naquela época, o tal do Nirvana. Cobain, no auge da carreira, era mais do quem um frontman da maior banda de rock de seu tempo. A geração daqueles dias via nele uma espécie de representante e encontrava em sua música uma espécie de grito de liberdade. Desde “Nevermind”, lançado três anos antes da partida desta para melhor de Cobain, uma nação de adolescentes tímidos, passivos e acuados em garotos punks com algo a dizer, mesmo sem nada para dizer, se despertou.

Foi Kurt, com seu Nirvana, que transformou a indie Seattle em roteiro turístico obrigatório e a música independente raivosa e “suja” em popular. Então, dá para se ter um pouco da dimensão do choque da notícia do suicídio de Kurt, que na sexta-feira passada completou 19 anos. Ele faleceu dia 5 de abril de 1994, mas foi encontrado apenas 72 horas depois.

E é quase duas décadas depois que vem outra notícia chocante de Seattle sobre o caso. O jornal local Seattle Post-Intelligencer publicou neste final de semana uma série de fotos inéditas do local onde Kurt se suicidou. No caso, sua casa, localizada na Lake Washington Boulevard East. E as fotos em questão foram feitas em 8 de abril de 1994, o dia em que o corpo do guitarrista foi encontrado por um eletricista que havia ido à residência para executar um serviço previamente agendado.

Tiradas por Mike Urban e Phil Webber, as fotografias foram feitas das sacadas de casas vizinhas. Nelas, registros da movimentação da polícia de Seattle fazendo todo o serviço de perícia e também a retirada do corpo de Cobain envolto por um lençol.

“It’s better to burn out than to fade away”…


Kurt Cobain foi encontrado morto em um cômodo localizado no jardim de sua mansão, registrado nas duas fotos acima


Peritos examinam o local


Sequência de fotos mostra retirada do corpo do ex-líder do Nirvana, encontrado três dias após sua morte


O dia em que a maior loja de discos de Seattle fechou suas portas, trancando para sempre uma parte do rock americano
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Lúcio Ribeiro

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* Segue melancólica a despedida da era mesozóica na música, na dura adaptação aos novos tempos. Estou falando das românticas lojas de discos. No Reino Unido, enquanto a ex-poderosa rede HMV, quase um cartão-postal da Inglaterra, anunciou a venda de seus estabelecimentos para quem quiser comprá-la, lá em Seattle a incrível Easy Street Records fechou para sempre a porta de sua principal loja, na última sexta-feira.

Culpando a especulação imobiliária e fazendo questão de dizer que 2012 não foi um ano ruim para a tradicionalíssima loja da tradicional Seattle musical, o dono da ESR diz que vai fechar por não poder pagar o aumento de aluguel proposto agora no novo contrato. A Easy Street Records, abrigo de boa parte da história do rock americano do lado esquerdo do mapa, tem uma sede restante, menor e com um café anexado, em West Seattle, que por enquanto vai ser mantida.

A Easy Street Records que fechou era no bairro de Queen Anne e abriu em 2002 para dar vazão à grande procura que tinha na loja menor, inaugurada em 1988. A loja vendia CDs, discos em vinil e DVDs novos e usados, além de revistas e merchandise próprio. Em 2010, foi considerada pela “Rolling Stone” uma das mais importantes lojas de disco dos EUA. Outra revista, a “séria” “Time” citou a ESR num artigo como uma das dez grandes lojas de disco americanas. Neil Young, Elvis Costello, Kings of Leon e Mudhoney, para dar uma ideia do leque, já tocou nas dependências da Easy Street. Lana Del Rey, Patti Smith e Franz Ferdinand também.

No sábado, numa espécie de “funeral alegre” para parafrasear James Murphy quando acabou com o LCD Soundsystem, a Easy Street Records teve na frente de sua loja um show gratuito da banda Yo La Tengo. E nosso correspondente em Seattle, o chapa Rodrigo Hermann, praticamente um empresário do ramo de tecnologia, foi ver a Easy Street Records descer sua porta pela última vez, em especial para a Popload. Hermann conta sobre o fim de uma era.

Liquidação de encerramento da Easy Street Records, de Seattle, na sexta-feira

Por Rodrigo Hermann

E lá se vai outra loja de disco. A Easy Street Records, clássica megaloja local de Seattle, fechou as portas na última sexta. Mas, em vez de ficar de chororô, colocou o Yo La Tengo para tocar de graça no palco da loja.

Yo La Tengo fez seu show correto, tocou músicas do disco novo, viajou em músicas mais antigas e durante uma hora fez a trilha sonora pra uma loja lotada de apaixonados por música que se mostravam claramente emocionados ao ver o fim de uma era.

E, mesmo com a emoção lá em cima, nao era hora para a deprê. Tentando evitar isso, latas e latas de PBR (a cerveja mais hipster do universo) foram arremessadas ao publico. Vi pelo menos duas pessoas tomando latadas na cara. Nem por isso o sorriso estampado no rosto desapareceu. Momento histórico.

Noite ainda mais histórica para o DJ Troy da KEXP (rádio clássica de Seattle e cá pra nós a melhor rádio do mundo). Troy foi o primeiro funcionario da Easy Street. Ajudou a montar e hoje ajuda a desmontar a loja. Conheceu todos os funcionários e raças de cachorro que passaram por ali. Conseguiu seu emprego de DJ dentro da loja e no fim conheceu a namorada também debaixo daquele teto. Para fechar o ciclo só lhe restava uma opção, e de joelhos ele propôs a namorada em casamento, que sobre urros de aplausos e pernas que mal se aguentavam em pé aceitou.

E um pedaço da história da música de Seattle se fecha, mas assim como Matt Vaughan (dono da loja) citou, eu também faço aqui a minha referência ao Bruce, aquele Springsteen: “Everything dies baby that’s a fact, but maybe everything that dies someday comes back”.

*** Veja o discurso de encerramento do dono da Easy Street Records e trecho do show do Yo La Tengo na loja. Galera chorando e tal. Matt Vaughan agradecendo emocionado a galera por ter comprado tantos discos do Postal Service e do Modest Mouse. Triste dia para o rock.

*** Troy, o DJ da famosa KEXP, contando sua história como empregado da loja e pedindo a namorada em casamento dentro da Easy Street Records, onde se conheceram. Era agora ou nunca.
Pode ver o vídeo sem constrangimento. Ela aceita.
E vou confessar uma coisa. Em nome da loja, da rádio, de Seattle, do rock americano e tal, com essa cena eu ch…

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Nirvanamania: Nevermind 20 sai hoje. Show histórico do Paramount tem na internet. Ou seja: aqui!
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Lúcio Ribeiro

* Came as it was.

* Saiu hoje as benditas edições deluxe (2 CDs) e super deluxe (4 CDs + 1 DVD) e a deluxe do vinil comemorativas dos 20 anos do seminal disco “Nevermind”, segundo álbum do grupo americano Nirvana que chacoalhou a estratosfera musical e botou todo mundo louco atrás daquela capa do bebê pelado e da nota de dólar. Tudo carregado das músicas originais remasterizadas, versões ao vivo, de ensaio, lados B de single, session para rádio, para TV e o escambau.
Em separado e também dentro da versão superdeluxe tem o DVD de um certo show no Paramount Theatre, um teatrão staile em Seattle, onde há exatos quatro anos nesta semana eu pude ver o Arctic Monkeys tocando. Olha a data na foto.

O show do Nirvana no Paramount é histórico. Parte dele já é conhecida aqui e ali, em vídeo mesmo ou áudio, mas sua porção inteira como sai agora capta na íntegra um dos momentos mais bizarros do rock.
O da transformação rápida da banda punk barulhenta suja “normal” do loiro que gritava cantando de cardigan de velhinho para uma das mais importantes e POPULARES bandas do início dos anos 90 que abafou o sucesso do hair metal, do Michael Jackson e da Madonna. E de toda a consequência que isso causou no rock, no pop, no indie, na indústria musical toda.

O concerto do DVD aconteceu no final de outubro de 1991, cerca de um mês depois do lançamento do tal “Nevermind”. O Nirvana, lá no submundo grunge, já tinha um disco, o “Bleach”, feito na Sub Pop com uns 600 dólares, pouco mais de dois anos antes. O “Nevermind” não. Em setembro de 1991 o disco saiu com um custo mais elevado, mais caprichadinho e por uma grande gravadora. Então tanto a banda quanto os executivos do selo quiseram ousar e programaram logo de cara um superlançamento com 40 mil cópias.
No final de outubro, um mês depois, exatamente nessa época do show do Paramount do DVD, o “Nevermind” já tinha vendido 1 milhão de cópias. O vídeo de “Smells Like Teen Spirit”, que tinha estreado havia poucos dias na MTV dentro de um programa “Lado B”, já estava começando a passar sem parar na programação normal.
A “revolução” musical causada pelo Nirvana e pelo “Nevermind” teve seu momento desgraceira mesmo quando banda e álbum chegaram ao primeiro lugar da “Billboard”, no comecinho de janeiro de 1992.

O show do Paramount foi no meio disso tudo, bem em cima de quando a banda soube que o disco de 40 mil tinha vendido 1 milhão. Nesse clima todo de “Que porra é essa que está acontecendo?”, o Nirvana subia no palco do Paramount, em Seattle, para fazer este show:


Semana Nevermind – O show tributo de Seattle
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Lúcio Ribeiro

* Popload em Seattle

((Este texto foi escrito originalmente para a Ilustrada, da “Folha de S.Paulo” e da Folha.com. As fotos são do museu Experiment Music Project))

Well, whatever, nevermind…
De importância mais histórica do que de relevância sonora fiel às músicas originais, o show “Nevermind Live”, organizado ontem em Seattle pelo ex-Nirvana Krist Novoselic para fazer parte das comemorações de 20 anos do “disco que mudou o rock, o pop, o indie tudo junto”, soou mais como uma reunião de amigos.

O “Nevermind” foi lançado em 24 de setembro de 1991. Agora, 20 anos depois, e por uma boa causa, Novoselic (imagem acima) foi o mestre-de-cerimônias de um ato ecumênico roqueiro para amigos de Seattle e bandas idem recriarem faixa a faixa as 13 músicas do famoso álbum. Na ordem.

O concerto comemorativo, com ingressos esgotados e transmitido ao vivo pela internet, aconteceu no EMP – Experimental Music Project, o imponente museu da música inventado, segundo dizem, para o magnata co-fundador da Microsoft, Paul Allen, arrumar um lugar para guardar todas as suas guitarras.

O EMP atualmente exibe ainda a exposição “Nirvana – Taking Punk to the Masses”, carregada de memorabilias, fotos originais famosas, roupas, fitas cassete demo, vídeos documentaristas e guitarras quebradas, entre outras coisas, que começou em outubro e aparentemente vai ficar permanente no museu de Seattle, a cidade que revelou ao planeta o Nirvana em particular e a toda cena do grunge.


A banda Loaded, de DuffMcKagan, em ação no “Nevermind Live”, ontem em Seattle

Sobre o show de ontem, o caráter de festa particular se deu exatamente porque foi a celebração 20 anos depois de um senso incrível de comunidade de Seattle, que era algo pacato, foi sacudido e perdeu o controle depois da passagem do fenômeno Nirvana.

Porque no palco, na platéia, nos bancos de convidados e na produção estavam gente da cena de Seattle de ontem e de hoje.

Porque: (1) as bandas tocavam sem parecerem ter feito um ensaio sequer, porque as músicas estão “no sangue”. E isso não garante um êxito sonoro. E (2) é famosa a idéia entre músicos de que é muito difícil fazer uma cover de Nirvana. Então não espantou muito ver que a maioria das canções recriadas ficaram abaixo do satisfatório, com honrosas exceções.


O famoso produtor e músico Jack Endino, que “fez” o primeiro disco do Nirvana, mais Mudhoney e Soundgarden, entre outros, toca “Come As You Are” na festa do “Nevermind”

Mas era uma autocelebração de Seattle, que sempre riu de toda bagunça gerada pelo Nirvana, então naquela bagunça em cima do palco do EMP tudo valeu. Em nome da história da música, dos costumes, da moda, da transformação da escanteada cidade em endereço turístico obrigatório, do “Nevermind”, do espírito de Cobain e principalmente de Susie Tennant, que nos anos 80/90 zelou pelo incentivo aos artistas locais, virou amiga de Cobain, madrinha do grunge e hoje padece para pagar seus tratamentos de um recém-descoberto câncer. O show era em benefício de Susie.

Tocaram as famosas canções de “Nevermind”, com um bônus final que recriou outras músicas do Nirvana além do disco aniversariante, veteranos do som de Seattle e grupos da nova geração.

O impacto do álbum era evidente, cada convidado falando a sua lingua. Os músicos mais antigos procuraram se aproximar do Nirvana original. Os mais novos recriavam meio que a seu modo. No meio das releituras indies de bandas do agora teve um rap e uma new rave para o “Nevermind”.

Novoselic, o baixista original do Nirvana e “dono” do evento, só esteve em ação uma vez: junto com os impagáveis The Presidents of the United States of America, desempenhou “On a Plain”.

Os ótimos Ravenna Woods e The Long Winters representaram bonito a nova geração fazendo sinceras versões de “Breed” e “Something in the Way”, respectivamente. O grupo Vendetta Red captou toda a fúria inerente ao Nirvana e soltou em cima da cover de “Stay Away”. E o trio de rappers mais guitarra Champagne Champagne decompôs a linda “Drain You” numa falação caótica que fez narizes mais conversadores serem torcidos no EMP. Adorei a releitura.

No off-“Nevermind”, já perto do final das três horas de tributo, o veterano grupo deu roupagem nova e bonita à famosa “Heart Shaped Box”.

Entre os momentos que mais emocionaram a emocionante festa “Nevermind Live” teve a presença em vídeo de Dave Grohl (que na noite não pode comparecer por ter show do Foo Fighters em outra cidade), teve Novoselic tocando e pedindo gritos ao amigo Kurt Cobain e pela própria presença da vivíssima Susie Tennant no palco, a homenageada.

Se as versões não agradaram em sua totalidade, os envolvidos nesse “Nevermind Live” tem uma resposta pronta, que usavam em praticamente todas as ocasiões desde muitos anos atrás: “Bem, tanto faz, deixa pra lá”.