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Com novo disco, Coldplay tenta voltar a ser pequeno
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Lúcio Ribeiro

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Uma das bandas mais promissoras do rock inglês da virada do século e a que conseguiu maior alcance popular em nível mundial, o Coldplay tem convivido com acusações de que deixou de lado seu britrock genuíno do início de carreira e meio que “se vendeu” (entre aspas para não soar tão pesado) a alguns elementos da música pop para vingar no mercado norte-americano, terreno tão arenoso para grupos oriundos da terra do Morrissey.

Depois de dois aclamados discos no início de sua trajetória, o Coldplay tomou um caminho mais Jovem Pan FM e meio que perdeu aquela essência do rock simples, meio folk e minimalista de “Parachutes”, álbum lançado por eles em 2000. Depois de rodar o mundo com shows coloridos e borboletas de papel, a banda de Chris Martin parece querer retomar este caminho mais introspectivo lá do início com “Ghost Stories”, sexto registro de estúdio que eles lançam dia 19 de maio.

Não só pela doída separação de Chris Martin e a atriz Gwyneth Paltrow, a banda já vinha dando indícios de que quer voltar a ser o que era, quando se tornou a grande aposta do rock inglês no início dos anos 2000. As canções divulgadas pelo grupo até agora dão força à tese de que os ingleses querem se reinventar, mesmo que isso necessariamente não signifique uma sonoridade nova, mas sim um apanhado do que a banda já fez um dia com muita competência.

O Coldplay ainda não anunciou sua turnê mundial, mas os primeiros shows ao vivo deles em algum tempo serão em casas e teatros pequenos, para tipo 2 mil pessoas. O primeiro show maior será em um festival da BBC Radio 1 em Glasgow, no mês que vem, junto com o Pharrell Williams e a Rita Ora. Hoje pela manhã, Chris Martin & Co. foram à estação inglesa para divulgar este show e fizeram uma session com duas canções que estarão no disco novo: “Magic”, que a gente já conhecia, e “Oceans”, esta até então inédita.

Bem intimista, “Oceans” cairia bem nos dois primeiros discos (especialmente no primeiro), o que mostra que o Coldplay parece estar falando sério com esse papo todo de voltar a ser uma “banda pequena”, como eram em 2000.

Vida nova ao Coldplay? Veremos e ouviremos em breve.

* O bamba Giorgio Moroder fez uma versão remix para “Midnight”, um dos recortes do novo álbum. Em suas mãos históricas, a música dura quase 9 minutos.

* “Ghost Stories”, tracklist
1. “Always in My Head”
2. “Magic”
3. “Ink”
4. “True Love”
5. “Midnight”
6. “Another’s Arms”
7. “Oceans”
8. “A Sky Full of Stars”
9. “O”

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O genial Tame Impala e todo o disco novo ao vivo, para seus ouvidos apenas
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Lúcio Ribeiro

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* Dia 23 de maio, em Londres, vai ter o show do Arctic Monkeys com o Tame Impala abrindo, no Finsbury Park. A gente vai nesse encontro histórico ou não?

Enquanto maio e a turnê europeia de verão não chegam, o grupo psicodélico australiano aproveitou o Record Store Day sábado passado para lançar em vinil, numa tiragem limitada a 5 mil cópias, o álbum “Live Versions”, nove músicas ao vivo de um show da banda em Chicago no final do ano passado.

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Essa capa-viagem do álbum, característica pictórica da mente colorida de Kevin Parker, é do fotógrafo Matthew Saville. O disco está aí embaixo, inteirinho, em streaming. Dá até para sentir o tempinho que levaram para trocar o lado do vinil, hehe. Para variar, e como todo bom show “normal” do Tame Impala”, é incrível.

Como disse uma menina agora há pouco no Twitter, o Tame Impala “lights my soul with fiery psychedelic flames”. A banda também pode ser descrita da seguinte maneira:

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Quem estiver voltando dos EUA ou da Inglaterra e puder me trazer esse “Live Versions”, eu troco por um ingresso para um desses vários Popload Gig que vêm por aí. Feshow?

Bom, vamos logo ao disco:

01 — Endors Toi
02 — Why Won’t You Make Up Your Mind
03 — Sestri Levante
04 — Mind Mischief
05 — Desire Be, Desire Go
06 — Half Full Glass of Wine
07 — Be Above It
08 — Feels Like We Only Go Backwards
09 — Apocalypse Dreams

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Polêmica: Pixies no novo comercial lindão e “sexy” do iPhone
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Lúcio Ribeiro

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* Vi no Antiquiet. Uma das melhores músicas da história, “Gigantic” dos Pixies, serve de empolgante trilha sonora do novo comercial do iPhone 5S, lançado ontem pela Apple (o comercial, não o iPhone). Com o mote “Você é mais poderoso do que imagina”, mostra o quanto o ainda novo iPhone pode conectar as pessoas com coisas… hum… poderosas, tipo tocar bateria, guitarra, lançar foguetes ou identificar estrelas pelo nome apontando o celular para o céu (não no caso de você morar em São Paulo, hehe).

É famoso no meio indie conspiratório, “Gigantic”, composta e cantada pela Kim Deal, é uma música sobre… pardón my french, o pau de um negão.

Gigante, uma “big black mess”, “o gostosão do amor”, diz a letra. “Gigantic, gigantic, a big, big love”. Kim Deal uma vez disse que a música ela fez pensando num filme chamado “Crimes of the Heart”. O “crime” do título se refere à paixão que uma mulher branca casada passa a ter por um adolescente negro. A letra do primeiro single do primeiro disco dos Pixies (1988) seria uma viagem voyeurística sobre essa mulher observando o “gato negro” fazer amor com outra mulher. No começo da canção, o guitarrista Frank Black parece soltar uns gemidos.

O site Antiquiet levanta a lebre. “Gigantic”, no comercial da Apple, é também cantada por uma garota adolescente, “de menor”, que se sente poderosa como manda o mantra do iPhone e gritando “Gigantic”.

What a big black mess! Sai dessa, Apple, haha.

Abaixo, veja os Pixies em 1988 tocando “Gigantic” ao vivo. Inacreditavelmente lindo.

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Beck sendo incrível na TV com a melhor música do ano (mais uma vez)
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Lúcio Ribeiro

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* Tudo bem, uma das melhores.

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O festejado cantor, compositor e músico norte-americano Beck, espécie de herói de uma geração, continua divulgando seu mais recente trabalho, “Morning Phase”, décimo segundo disco de sua carreira, lançado no início do ano. Depois de participar do Coachella com shows concorridos e subir no palco do Arcade Fire para cantar Prince, Beck apareceu no programa do Jimmy Kimmel para tocar a melhor música do álbum, “Blue Moon”, que fala sobre o tédio de se estar sozinho.

Beck tem extensa turnê pela frente, incluindo aparições em festivais importantes como o Pitchfork Music Festival de Chicago (julho) e o Austin City Limits, em outubro. Ele também tem algumas datas europeias no verão, como no festival irlandês Electric Picnic.

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Bandas metalcore lançam tributo ao “In Utero”, do Nirvana
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Lúcio Ribeiro

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* No meio dos quase 500 lançamentos de discos que fizeram o Record Store Day, sábado passado, 19 de abril, ser um dos mais importantes dias para a música no ano, tinha um tributo hardcore punk metalcore experimental nervoso para o disco “In Utero”, do Nirvana. “In Utero” foi o famoso último álbum da banda de Kurt Cobain, que tem um molho brasileiro na produção, nasceu para exorcizar o sucesso comercial do “Nevermind” e veio às lojas em setembro de 1993, há pouco mais de 20 anos.

Grupos como Circa Survive, Thursday, Daughters, Ceremony, entre outros, mais uma ajuda indie do saudoso Jay Reatard, compõem “In Utero, In Tribute, In Entirety”, em vinil preto e uma versão em amarelo. A tiragem, pequena, se esgotou. E a gravadora Robotic Empire, autora do projeto, já faz mais uma fornada para atender os fãs com vendas via correio.

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Mas o disco tem sua versão online no iTunes, Spotify e bandcamp. Neste último, dá para ouvi-lo inteiro por streaming. “In Utero, In Tribute, In Entirety” é bem bom.

A Robotic Empire afirma que o disco vem sendo feito há sete anos, com as bandas sendo convidadas para fazer o tributo ao Nirvana música a música.

Há tempos conhecia essa do Jay Reatard para a incrível “Frances Farmer Will Have Her Revenge On Seattle”, menos “áspera”, mais “perturbada”. É difícil dizer, mas acho que é minha favorita do disco todo do Nirvana e do tributo.

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Festival de discos novos. Ouça: Damon Albarn, Brody Dalle e Pixies
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Lúcio Ribeiro

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O feriadão passou e a semana começou no gás com ao menos três discos que vão dar o que falar nos próximos dias. O incansável Damon Albarn e a gata Brody Dalle lançam seus discos de estreia em carreira solo. “Everyday Robots”, do líder do Blur e Gorillaz, e “Diploid Love”, da mina do Josh Homme, chegam às lojas na próxima segunda-feira, 28 de abril, junto com “Indie Cindy”, o primeiro álbum do veterano Pixies em 23 anos.

A notícia ótima que vai além dos lançamentos em si é que os três registros já podem ser ouvidos de graça, na íntegra. O do Damon em cortesia do iTunes, loja virtual da Apple. Os da Brody Dalle e dos Pixies foram liberados pelo jornal inglês The Guardian. Todos reproduzidos e bonitinhos abaixo, aqui na Popload.

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Chromeo faz balada chic no programa do Kimmel
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Lúcio Ribeiro

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O ótimo duo electro-funk Chromeo, um dos shows mais bombados do Coachella deste ano, fez uma parada no programa do Jimmy Kimmel para divulgar seu novo disco, “White Women”, que será lançado dia 12 do mês que vem.

Boa parte do álbum a gente conhece, já que a dupla formada pelo P-Thugg e Dave 1, que mistura Nova York e Montreal, tem soltado canções do disco desde o fim do ano passado.

No Kimmel, eles tocaram as boas “Jealous (I Ain’t With It)” e “Come Alive”, que na versão de estúdio tem a participação do Toro Y Moi. Ezra Koenig, do Vampire Weekend, é outro convidado especial no álbum.

* “White Women”, tracklist
‘Jealous (I Ain’t With It)’
‘Come Alive’ (feat. Toro y Moi)
‘Over Your Shoulder’
‘Sexy Socialite’
‘Lost On the Way Home’ (feat. Solange)
‘Play the Fool’
‘Hard to Say No’
‘Ezra’s Interlude’ (feat. Ezra Koenig)
‘Old 45S’
‘Somethingood’
‘Frequent Flyer’
‘Fall Back 2U’

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Sebadoh no Sesc Pompeia: Low Barlow, mais homem, menos mito
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Lúcio Ribeiro

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* Lou Barlow está firme no rolê paulistano. Quer dizer, mais ou menos. No domingão de Páscoa e na segunda feriado o ex-heroi do rock alternativo americano de outrora arrastou um grande número de indies “das antigas” e outros nem tanto para ver sua banda Sebadoh em ação, em dobradinha na Choperia do Sesc. Escondido atrás de um cabelo grande encaracolado jogado na cara, a barba proeminente e o par de óculos, era difícil ver seu rosto de qualquer ângulo que fosse. Low Barlow estava ali, em ação na nossa frente, mas era difícil VÊ-LO, propriamente. O ex-Dinosaur Jr e ex-Folk Implosion, acima de tudo Lou Barlow, desfilou alguns hits velhos e músicas de “Defend Yourself”, álbum do ano passado, o primeiro disco do Sebadoh em 14 anos. Tudo certo, tudo errado.

Normal, Barlow não é mais o mesmo heroi do “rock alternativo” americano, repito, enfatizando com aspas uma alcunha diferente de “rock indie” no caso do guitarrista/baixista/cantor/compositor de longos serviços prestados ao… indie. Dava para ver isso no show do Sesc, pelo menos tendo o de ontem, segunda-feira, como referência. Suas músicas continuam bonitas, o show foi OK, mas Lou Barlow está, sei lá, menos Lou Barlow. Dava para ver isso, mesmo não dando para ver Lou Barlow.

Talvez tenha sido uma má ideia minha ir ontem ao Sesc sem ter na cabeça uma boa e recente entrevista que li dele, acho que por ocasião da turnê australiana que o Sebadoh fez em março, antes de aparecer aqui pelo Brasil. Barlow falou que duas coisas marcantes devem ter influenciado as novas músicas, o novo disco, a nova tour: o fato de ele estar divorciado da mulher da vida dele, a que é “acusada” de ter pautado grande parte das tocantes canções do Sebadoh nos anos 90; e de ele também estar agora divorciado da maconha, com quem manteve um relacionamento “sério e intenso” por décadas, mas que agora ou não existe mais ou diminuiu muito. Nem isso ele sabe precisar.

A faceta prolífica de compositor impulsivo também já era. Claro. Barlow não é mais um “garoto especial” dentro do cenário independente, porque o tempo passa e tals. Mas, para acrescentar, ele disse na conversa que não aproveita mais a vibe das turnês para compor, fazer letra, fazer música. Agora Barlow, segundo define, é um “iPhone person”. Ele passa mais o momento na estrada, das viagens, no celular falando com os filhos no Facetime, vendo Twitter, Facebook, Instagram, trocando mensagens com amigos.

Um rato de shows no auge do Sebadoh, do Dinosaur Jr, do rock novo americano há duas décadas, Barlow afirmou que obviamente ainda curte viajar por aí para tocar, mas que prefere bem mais estar em casa, vendo os filhos crescer. Faz porque é músico, vive disso. Porque sua maior fonte de renda são as turnês, já que o dinheiro de venda de disco e direitos pelas músicas que compôs diminuiu bastante. É pela grana sim, porque afinal de contas tocar paga suas contas, ajuda a criar os filhos, faz de sua vida normal minimamente decente.

Com essa entrevista na cabeça, eu fui ver o Sebadoh ontem no Sesc Pompeia. Porque Lou Barlow é Lou Barlow. Mas, apesar da noite de fim de feriadão com uma banda como o Sebadoh tocando na minha cidade, vi que Lou Barlow não é mais o Lou Barlow. Pior que, baseado em suas afirmações na entrevista do mês passado, ele concorda comigo.

Sobre o lance de ser um “sujeito iPhone”, me assustou Lou Barlow, perto do momento de encerrar a noite no Sesc, não saber se tinha tempo de tocar mais músicas para não estourar o severo horário “institucional” que regula os Sescs. Não foi exatamente isso o que me assustou, mas o que se seguiu. Daí ele, guitarra empunhada, foi perto do amplificador e tirou seu iPhone de algum lugar: “Tem uma mensagem aqui me dizendo que não posso passar com o show das 20h30. Então dá para tocar mais umas duas músicas”. Nem se deu ao trabalho de perguntar para a galera da produção.

O show foi cedo, 19h. Saí do Sesc, atravessei a rua, entrei no Sonda Supermercados, que estava aberto. Comprei uns yogurtes para o café da manhã, umas bolachas e vim para casa colar figurinhas do álbum da Copa. Não foi uma noite ruim, longe disso. Mas foi uma noite, digamos, normal demais para o meu gosto e para minha relação de vida sonora das antigas com Lou Barlow.

Lou Barlow, o grande guitarrista/baixista que reveza com ele Jason Loewenstein mais o bom e novo baterista Bob D’Amico botam o Sebadoh para funcionar quinta que vem no Circo Voador, no Rio. Depois, até o final do mês, tem show da banda em Recife (Abril Pro Rock), num centro cultural em Cataguazes (MG) e Maringá, Paraná.

No dia 1º de maio, Lou Barlow se apresenta novamente em São Paulo, desta vez solo. Barlow toca no MIS, na festa de abertura do grande e movimentado festival de documentários musicais In-Edit, em sua 6ª edição.

Dos shows que o grupo de Lou Barlow fez no Sesc Pompeia, emprestamos dois vídeos do brother Alexandre Matias, do Trabalho Sujo, que inclusive entrevistou o músico americano.

A foto do show de ontem, no Sesc Pompeia, é do Facebook do Fabio Meirelles.

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Jack White solta single “mais rápido” da história
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Lúcio Ribeiro

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O grande Jack White não para com suas invenções malucas que, no fim, são na verdade pequenas revoluções. Jack lança em 9 de junho seu segundo disco solo, “Lazaretto”. O single que dá nome ao disco foi lançado no último sábado, 19 de abril, dentro do Record Store Day. No caso, não foi apenas lançado: foi gravado, masterizado, prensado e lançado. Haha. O processo durou 3 horas e 21 minutos, indicando que o single é o registro mais rápido da história.

O som, uma pedrada musical que mistura blues com funk e rock 70′s, é uma das 11 faixas do novo álbum, que será lançado pela gravadora de White, a cool Third Man Records.

“Lazaretto” é a segunda amostra do disco. No início do mês, ele já havia divulgado “High Ball Stepper”.

White começa sua turnê mundial no fim de maio, na cidade de Tulsa, EUA. Nas semanas seguintes, ele toca em festivais como o Governors Ball, Bonnaroo e Glastonbury.

* Tracklist
01. Three Women
02. Lazaretto
03. Temporary Ground
04. Would You Fight For My Love?
05. High Ball Stepper
06. Just One Drink
07. Alone In My Home
08. Entitlement
09. That Black Bat Licorice
10. I Think I Found The Culprit
11. Want And Able

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Tags : jack white


Lá em Dublin. Chet Faker ao vivo
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Lúcio Ribeiro

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* Sister deste blog, a Talita Alves de repente se viu em Dublin, na Irlanda. Como de repente também o músico, produtor e DJ australiano cool as fuck CHET FAKER também estava na cidade, o feliz encontro se fez.
E a Talita conta como foi o primeiro show do electro-soul Chet Faker na turnê britânica, no Button Factory. O australiano se apresenta amanhã em Glasgow, quinta em Manchester, sexta em Leeds e depois Londres. Seu lindo álbum de estreia, “Built on Glass”, foi lançado na semana passada, oficialmente. Um dos discos do ano “so far”. E a versão ao vivo em Dublin deste Chet Faker que a Talita viu é assim:

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“Um show do Chet Faker no meio do caminho”

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Chet Faker combina com a Irlanda, ele é ruivo e tem essa cara de menino mal que fica soltinho depois de umas cervejas. Bem típico, quase um irish. Se eu o encontrasse por aí como um desconhecido, ia achar que ele mora em alguma ruazinha em Rathmines e que fecha o dia no Temple Bar.

Depois de alguns EPs, o australiano finalmente lançou o seu álbum de estreia. ‘Built On Glass’ é lindo e diz muito sobre ele. É como entrar em sua casa e ficar na sala por horas vendo os discos que ele tem, alma old-school com batidas contemporâneas e uma voz que passeia nos ouvidos. Algo que o músico vem construindo muito antes de o cover de ‘No Diggity’ sair de Melbourne e cair na rede.

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O mais curioso dessa apresentação ao vivo em Dublin é que o Chet Faker veio pra Europa bem na Páscoa, e as pessoas por aqui levam esse feriado super a sério. O show estava sold out e aconteceu no Button Factory, um local cozy (como costumam dizer por aqui), aconchegante, para ver e ouvir de qualquer canto. Pode até parecer que o cara é tímido, mas eu diria que ele é intimista. Entra quietinho e fica na dele, mais preocupado em tocar do que com qualquer outra coisa.

Chet toca sozinho o tempo todo, se dividindo entre a base e o teclado. Sua música funciona como um anestésico tanto para a plateia quanto para ele mesmo. Todo mundo parece ter entrado na mesma frequência, como se o Button fosse um barco à deriva no meio do Oceano Atlântico. Dá vontade de morar nas músicas dele. Olhando para esse barbudo com cara de bravo, fica difícil imaginar que tem alguém tão encantador e sensível por trás – alguém feito de vidro, quase como no nome do álbum.

** A foto do Chet Faker no show é do instagram do @davidpfitz.

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