Blog POPLOAD

Quando você conversa sobre música, você diz essas coisas?
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Lúcio Ribeiro

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* Popload em Seattle. Well, whatever, nevermind.

Me deparei hoje com um muito divertido (e bem sério, haha) manifesto sobre gosto musical no site indie Pigeons and Planes. Gosto musical e seu jeito de expor seu pensamento em conversas, nas redes sociais, aquelas coisas que a gente VÊ DIARIAMENTE em qualquer lugar do planeta. Chama “Dez coisas escrotas que hipsters dizem sobre música”. A introdução é muito boa, então vou cop… republicar na íntegra a parada dos Pigeons and Planes. Com uma “tradução livre” e intervenções, hehe. Tem um final genial meu, para completar. Haha.

Bom, o que eu quero perguntar mesmo é se você conhece “alguém” que fala essas coisas.

A intro: “Somos fãs de música. Superfãs de música. Obsessivos, nerds. Queremos nada mais que sentar em frente de nossos computadores e, de preferência sem a interrupção de outros seres humanos, ouvir muita música, o dia inteiro. Nós provavelmentes somos também esnobes. Nós ouvimos tanta música, pensamos tanto sobre música que a gente não consegue evitar em ter fortes opiniões. Do tipo odiar o Justin Bieber, ter vergonha do David Guetta ou ainda contar aos nossos amigos sobre essa brilhante banda nova que a gente acabou de descobrir, sempre tendo como ponto de vista a importância da música. Para o hipster é diferente. Música é apenas uma arma na constante guerra com a sociedade para parecer cool”.

1. “Na verdade eles não são tão bons assim ao vivo”
Essa tem dois propósitos. Acabar com sua opinião e ao mesmo tempo mostrar quão intensa é experiência musical do hipster, porque afinal ele já viu ao vivo essa banda que você se entusiasmou com o disco.

2. “Eu gostava deles, uns dois anos atrás”

“Eu gostava deles antes do Pitchfork falar” é também uma opção.

3. “Eu gosto mais do remix do [inserir o nome do produtor desconhecido]“
…Insistir que você gosta da versão remix do produtor que ninguém nunca ouviu falar é apenas um outro jeito de tentar manter seu refinado gosto musical isolado do resto do mundo.

4. “Você já ouviu os projetos paralelos dos caras dessa banda?”
Se acontecer de você gostar do mesmo artista ou banda de um hipster, ele rapidamente vai encontrar outro jeito de se diferenciar de você.

5. “A música que eles escolheram para single é a pior do álbum”
Basicamente o single é a música mais popular e que a banda acha que você pode gostar mais. Isso não funciona com o hipster.

6. “Este é o disco mais importante da década”
Isso pode ser irritante ou agradável quando há um grupo de hipsters conversando e alguém menciona algum daqueles álbuns que só hipster ama. Na tentativa de se sobrepor aos outros e provar que eles realmente apreciam o quanto essencial este ou aquele disco foi, os hipsters vai ficando mais e mais exagerado sobre discos obscuros, até um deles dizer para você que um disco de acid jazz de lançamento independente vendido apenas numa loja de Wichita foi o mais importante disco da década.

7. “Minha amiga saia com o cantor”
Porque hipsters adoram se conectar com bandas e músicos. Do jeito que for, mesmo sendo através de uma “amiga”. Eles esperam você dizer o quanto uma banda é incrível e o quão incrível seria conhecer os integrantes e daí tascam a para cima a cascata “minha amiga ou meu amigo…”

8. “Deles eu só gosto das coisas de início da carreira”
Só porque um recorde foi lançado antes de a banda x ficar famosa, isso não necessariamente quer dizer que é o “melhor trabalho deles”. Na verdade, em vários casos, quando a banda ganha experiência, ajusta seu potencial, trabalha com melhores produtores e geralmente amadurece, sua música melhora. Para um hipster, entretanto, o imbatível mérito do “trabalho de início de carreira” é só para desbancar você, que não deve ter ouvido o grupo antes do “sucesso”. Ou, ainda melhor, você ouviu e nem gostou tanto assim.

9. “Parei de gostar quando começou a tocar no rádio”

Esta é frase clássica, o ápice do hipsterismo. Não funciona tanto no Brasil porque não temos (ou temos pouquíssimas) rádios que prestem. Mas ainda assim. No Brasil, na verdade, é ainda mais legal porque se alguém comentar que ouviu a tal música ser tocada na rádio 89FM, por exemplo, o hipster fala: “Eu não ouço rádio brasileira”.

10. “Eu conheci os caras da banda na infância”
Vamos supor que em um dia destes quaisquer o hipster esbarra em seu Instagram e vê que você de repente postou uma foto de uma farra no backstage dos Rolling Stones antes do show da reunião deles. Que merda é essa?, se pergunta na hora o hispter. Mas não se preocupe. O hipster irá além de você e dará um jeito de exibir conexões privadas de algum jeito e muito mais íntimas que as suas, até mesmo com outra banda, menor, afinal a intimidade dele com a música não tem nada a ver com bandas tão populares de linha “celebrity”.

PS meu: um dia desses, acho que no Instagram, peguei a conversa de dois amigos, um falando para o outro sobre uma banda obscura que ele tinha ouvido. O outro respondeu, rapidinho: “Por que você está falando deles? Eles lançaram material novo?”

CATAPLÁ!!!!!!!

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Tags : hipster


Popload em Seattle. O maior festival de folk do mundo, o mais bonito festival indie do mundo e a Emma Watson
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Lúcio Ribeiro

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The city where punk broke.

* Coachella? Lollapalooza Chicago? Bah! Amanhã começa o Sasquatch Festival, no desfiladeiro do rio Columbia. Quatro dias, 127 bandas, visual doido e, você não sabe, aqui no estado de Washington foi legalizado o uso recreativo da…

* Você acha que o Brooklyn, NYC, é folk, mas neste final de semana prolongado nos EUA (feriado do Memorial Day na segunda), enquanto os indies da cidade vão para o Sasquatch, acontece no Seattle Center o gigantesco 42º Annual Northwest Folklife Festival, que mostra o estilo de vida folk não só na música como na relação com a natureza, com a cidade, com a humanidade, com os peixes. É sério. 250 mil pessoas costumam circular por Seattle por causa desse festival. Tirando o grunge sujinho, mas nem tanto, tudo é folk nesse lado noroeste dos EUA. Tem festival da cerveja folk, torneio de pesca folk, o folk e os animais desamparados, as comidas folk, palestra sobre instrumentos de corda para o folk, dança folk e, claro, a música folk em apresentações. Uma das bandas mais festejadas a tocar no Northwest Folklife Festival é a SHEBEAR, banda indie(folk) que lembra mais o Passion Pit que o Fleet Foxes, por exemplo. Ó:

* Acontece ainda em Seattle o International Film Festival, com quase um mês de duração e que acaba em 9 de junho com o já famoso filme novo da Sofia Coppola, “The Bing Ring”, com a Emma Watson do Harry Potter no papel de líder de um grupo de meninas que vasculham redes sociais para saber onde estão as celebridades exibidas para depois roubar a casa delas. Você sabe o que se quer dizer com “galera exibida das redes sociais”, né? Um caminhão de filmes novos e “especiais” estão sendo exibidos no SIFF. Por exemplo, o piloto de duas horas de “Twin Peaks”, a série do David Lynch dos anos 90 que mudou a história da televisão. Fora do festival, estreia amanhã na cidade o tal famoso filme sobre o guitarrista trágico Jeff Buckley, “Greetings from Tim Buckley”. O filme mostra romantizados os dias antes da apresentação de Jeff em um concerto-tributo ao pai, também músico, que aconteceu em 1991. Vou tentar ver esse, se der.

* Atração do Sasquatch, que começa amanhã, a banda indie cool de Nova York (Brooklyn, onde mais?) Caveman, tipo Grizzly Bear, lançou nesta semana o vídeo para a bela música nova “In the City”. A música está no balaladinho segundo disco deles, que leva o nome da banda. O vídeo é meio crazyshit, mas bem estrelado, pela atriz Julia Stiles e pelo Fran Kranz, que trabalhou em “Donnie Darko”, entre outros. Vale a olhada. E principalmente a ouvida.

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Tudo OK com o Primal Scream como se hoje fosse 1991
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Lúcio Ribeiro

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A veterana banda escocesa é das preferidas deste espaço, não é novidade para ninguém. Tanto que a turma do Bobby Gillespie tem o nome marcado na história do Popload Gig, festival tentáculo deste blog, depois do show especial do “Screamadelica”, “só” um dos discos mais importantes de todos os tempos.

E é seguindo a linha “disco importante” que o Primal Scream segue no gás. A banda recém lançou seu décimo álbum de estúdio, “More Light”, diria que quase tão psicodélico quando o “Screamadelica”. No mínimo, está entre os melhores do ano até agora.

Um dos singles desse novo registro da banda que mistura rock e eletrônica com maestria é “It’s Alright, It’s OK”, faixa que tem bombado nas rádios britânicas. Nesta semana, a banda concedeu uma entrevista e fez uma versão especial da música em uma session para o big jornal inglês Guardian.

Ficou mais ou menos assim.

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O esquenta do Breeders em Barcelona
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Lúcio Ribeiro

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* Vai, Neymar.

Um dos grandes expoentes dos anos áureos do rock alternativo americano na década de 90, o Breeders, das irmãs Kim e Kelley Deal, está na estrada com um dos shows mais legais do mundo hoje. A banda tem pautado seus shows com o tributo aos 20 anos do discaço “Last Splash”, que recebe neste ano uma reedição em box especial com o título “LSXX”. A turnê, dizem, está incrível. Bem que o Brasil podia entrar nessa rota…

O Breeders é uma das atrações do Primavera Sound. O show da banda está marcado para sexta-feira, 24. Na noite de ontem, o grupo fez uma apresentação surpresa na Sala Apolo, em Barcelona, em evento oficial do festival.

A clássica “Cannonball”, claro, está no setlist.


Primavera Sound no sofá. Festival de Barcelona terá transmissão ao vivo
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Lúcio Ribeiro

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De São Paulo para Barcelona: o Vaccines foi uma das atrações de abertura do Primavera Sound, ontem

Começou ontem e vai até domingo o cada vez mais procurado Primavera Sound, evento musical que mais cresce na Europa, de conceito incrível, visual charmoso e line up poderoso em sua edição 2013.

O festival eletro-indie-rock vai botar para tocar em Barcelona – nova casa do Neymar – nas próximas horas/dias nomes como Tame Impala, Grizzly Bear, Blur, Nick Cave, Jesus And Mary Chain, My Bloody Valentine, Dinosaur Jr., Fiona Apple, Phoenix, The Knife, Animal Collective e Crystal Castles. Fora outra leva de nomes bons.

Os shows acontecem no charmoso Parc Del Fórum da cidade e boa parte dos shows terá transmissão ao vivo. Hoje, por exemplo, já tem Tame Impala, Phoenix e Grizzly Bear, entre outros ótimos. Vai ser comum você ler popices sobre o festival aqui na Popload nos próximos dias. Não é pelo motivo que troquei o Primavera Sound pelo Sasquatch que…

* A programação é a seguinte, já com horários de Brasília.

Quinta, 23 de maio
12:40 El Inquilino Comunista
13:25 Wild Nothing
14:20 Delorean (gravado)
15:30 Tame Impala
16:45 Dinosaur Jr.
17:55 The Postal Service
18:15 Grizzly Bear
19:40 Phoenix
22:10 Animal Collective

Sexta, 24 de maio
12:50 Pony Bravo
13:40 Nick Waterhouse
14:30 Peace
15:30 The Bots (gravado)
16:35 Manel (gravado)
17:45 The Jesus and Mary Chain
19:15 James Blake
20:20 Swans

Sábado, 25 de maio
12:00 Guadalupe Plata
12:50 Extraperlo
13:35 Adam Green and Binki Shapiro
15:00 Poolside (gravado)
16:00 Dead Can Dance
17:20 Wu-Tang Clan
18:45 Orchestre Poly Rythmo De Cotonou (gravado)
20:05 Los Planetas
21:30 Simian Mobile Disco (gravado)
22:50 Hot Chip


Quer saber? O Arctic Monkeys voltou com música nova
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Lúcio Ribeiro

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Alex Turner, ontem, na Califórnia

Uma das atrações do bombado Sasquatch, festival que a Popload acompanha in loco a partir de amanhã na região de Quincy, estado de Washington, o Arctic Monkeys fez uma espécie de show warm up na noite de ontem em Ventura, Califórnia, o primeiro no ano de 2013, nessa nova fase chamada “AM5 – The New Era”.

Logo de cara, Alex Turner & Co. mandaram uma música inédita na abertura da apresentação. A climática “Do I Wanna Know?” cairia bem no disco novo do Queens of the Stone Age, achei.

O Arctic Monkeys toca no Sasquatch amanhã. Mês que vem eles iniciam um giro por festivais europeus, incluindo o gigante Glastonbury, no qual serão headliners.


Popload em Seattle. Sabe o Sasquatch? Não o monstro, o festival…
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Lúcio Ribeiro

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* Here I am, now. Entertain me, Kurt.

Estátua de Jimi Hendrix, filho de Seattle, em rua do bairro hippie Capitol Hill, na cidade do grunge

A Popload resolveu dar um “pulinho” na terra que mudou a história da música dos anos 90 para acompanhar o festival que está mudando a história dos festivais dos anos 10. Sabe o Coachella? Sabe o Lollapalooza Chicago? Então…
A partir de sexta, por quatro dias, acontece o Sasquatch Festival, na região de Quincy, estado de Washington, entre duas e três horas de Seattle e um pouco mais de Portland, já no Oregon.

Realizado “perto” de duas das cenas roqueiras mais legais nos EUA, o Sasquatch tem o considerado, não só por mim, melhor line-up de festival americano no ano. O melhor visual (Ok, Califórnia?). A melhor vibe (dizem. É minha primeira vez). E, pela primeira vez, esgotou seus ingressos em absurdos 80 minutos.
Nada mal para um festival que começou besta com Jack Johnson e Ben Harper em 2002 e foi crescendo, crescendo…

Vamos falar bastante do Sasquatch e suas “peculiaridades” em posts que virão. O line-up deste ano traz Ariel Pink, Matthew Dear, Red Fang, Death Grips, Macklemore & Ryan Lewis, o “nosso” The XX, Postal Service, Sigur Rós, Vampire Weekend, Elvis Costello, Arctic Monkeys, Andrew Bird, Tame Impala, Father John Misty, Built to Spill, Black Rebel Motorcycle Club, Grimes, Bloc Party, Devendra Banhart, Peace, Mumford & Sons, Lumineers, Solange, Divine Fits, Dirty Projectors, Totally Enormous Distinct Dinosaurs, Cake, Primus, Imagine Dragons, DIIV, Presets, Empire of the Sun, Alt-J, Youth Lagoon, Japandroids e mais uns outros 50 nomes.

* Bom, estou chegando. Depois tem mais.

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Dá um abraço, Chan <3
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Lúcio Ribeiro

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* Cat Power, ou Chan Marshall para os íntimos, fez (mais) um show “polêmico” ontem, no Cine Joia, em São Paulo. Coloquei “polêmico” entre aspas porque não concordo nem um pouco, mas senti, conversando com amigos e lendo tweets e desabafos no Facebook, que ninguém curtiu “mais ou menos”. Foi amor ou ódio da primeira à última música. Quem odiou está no limite de pedir um reembolso. Quem amou saiu emocionado, amando ainda mais a pobre Chan. Desde o Flaming Lips no Lolla Br eu não via opiniões tão fortes (e opostas) sobre um mesmo show (hehe).

De novo, como falamos no próprio Lolla quando a patrulha da opinião veio reclamar, participar de um show é uma experiência única e intransferível. Não mencionando a parte técnica, por enquanto, gostar ou não gostar de um show depende muito também do quanto você gosta de determinado artista. E do quanto você está preparado e disposto a relevar, em alguns casos.

Também sem entrar no mérito da estética (o que foram essas “reclamações” falando do cabelo feio e do corpo mal cuidado? Sério mesmo?) porque uma vez Cat Power sempre Cat Power. A cantora mostrou sim algumas limitações. Aparentemente bêbada (dizem que ela não dormia desde o show do Rio de Janeiro), gripada, cambaleando, com muita tosse e rouca, fez versões quase que irreconhecíveis de suas próprias músicas.

Eu não sei vocês, mas tirando a tosse, eu esperava exatamente isso: uma Cat Power doidona e rouca, desconstruindo qualquer hit até você perceber, dois minutos depois, que ela começou pelo refrão, pulou a segunda estrofe e ainda trocou todo o arranjo da sua música preferida.

Não seria Chan Marshall se isso não tivesse acontecido. OK: nem todos os arranjos foram bem-sucedidos e talvez eu nunca a perdoe pela massa sonora disforme que foi a “versão” de “Sea of Love”, que abriu o show. Com mais de uma hora de atraso, a (ótima) banda passou looongos cinco minutos repetindo os mesmos acordes, até ela finalmente aparecer balbuciando e errando a letra da música.

A cena me lembrou o show do Daniel Johnston, no mês passado. É tanta fragilidade e doação no palco, que não dá para não se comover e simplesmente reclamar que ela tropeçou ou que o cabelo moicano não lhe caiu bem. Duas músicas depois, já mais à vontade e com o público mais bem-humorado, ela se soltou e ganhou o show. Foram momentos de entrega total da cantora (“Metal Heart” foi de chorar), abafando a vaia inicial que ela também fez questão de compensar com longas paradas para autógrafos.

Comparado aos shows anteriores dela no Brasil, esse não foi o melhor, mas o mais “bipolar”. No bom sentido. O novo disco, “Sun”, que pretende mostrar o lado mais “colorido” e leve (nas melodias, porque nas letras…) de Marshall, funciona muito bem no palco. Um dos melhores discos de 2012, na minha opinião (claro), é cheio de hits e quebram o peso das baladas pesadas do setlist. Essas duas fases, a teoricamente mais “animada” vs. a mais triste, entravam em choque no palco e deixavam bem claro qual o rumo que ela pretende tomar agora. E aí sim podemos falar da mudança estética Blonde Power porque ela faz parte do pacote “bola pra frente”. Pelo menos na visão dela.

Era a Cat Power que eu queria ver. A que começou com um “Sea of Love” destroçado e terminou com um “Ruin” animadíssimo. Até nisso ela quer ser do contra.

>> Vídeos

>> #catpower no Instagram





>> SETLIST

Sea of Love (cover de Phil Phillips)
The Greatest
Cherokee
Silent Machine
Manhattan
Human Being
King Rides By
Angelitos Negros (cover de Pedro Infante)
Always On My Own
3,6,9
Nothin But Time
I Don’t Blame You
Metal Heart
Oh! Sweet Nuthin´/ Shivers (cover de Rowland S. Howard, com versos de Velvet Und.)
Do Ya (cover de Move)
Peace and Love
Ruin

Cobertura Popload: Ana Bean, enviada especial ao Cine Joia.

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The XX promove rave indie e soturna em seu próprio festival
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Lúcio Ribeiro

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Rolou no último sábado em Berlim mais uma edição do Night+Day Festival, ou melhor conhecido como o “festival do The XX”. O cultuado trio britânico promoveu uma espécie de show-festival com Jessie Ware, Chromatics, Mount Kimbie, Kindness e Mykki Blanco como convidados, em uma tarde-noite linda no meio de um parque alemão. Imagina a vibe.

O The XX, na estrada com shows concorridos no mundo todo, fechou o evento, claro, e promoveu uma parceria inusitada no palco. Em certo momento do show, o bamba Jamie XX convidou a cantora Jessie Ware, aquela, que a Popload disse ano passado ser a “resposta britânica” para a Lana Del Rey.

Jessie Ware, uma moça de Brixton, é dona de uma voz doce que lembra a Sade, voz essa que um dia lhe rendeu o cargo de backing vocal do SBTRKT. Jessie bomba nas rádios da Europa, especialmente, com seu disco de estreia, “Devotion”, lançado ano passado.

No palco, junto ao The XX, ela mandou um mix de sucessos de “pista” das duas décadas passadas: “Lady”, do Modjo, e “Music Sounds Better With You”, do projeto francês Stardust. As batidas descompassadas foram editadas pelo Jamie. Claro, não tinha como não ficar boa essa rave-indie-dark.

O The XX inicia hoje sua nova turnê pela América do Norte, com show em Edmonton, no Canadá. Algumas datas em junho terão a dobradinha linda The XX + Grizzly Bear. No sábado, o trio é uma das principais atrações do bombado Sasquatch Festival, mas sobre isso a gente fala melhor depois.