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Arquivo : father john misty

O pregador Father John Misty, seus vídeos e requebrados incríveis. Esse novo envolve… desastre aéreo
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Lúcio Ribeiro

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* Atenção, mulherada. Father John Misty na área.

* O pastor indie Father John Misty, de Seattle, que canta como se tivesse pregando e fala entre músicas querendo passar a palavra, é capa da atual edição da revista “Magnet”, nas bancas (americanas). No seu Facebook, meio que para comemorar sua primeira capa e também para mostrar um certo incômodo com a “exposição”, ele soltou uma mensagem na linha sobre a capa: “Já era. Perdi a virgindade”.

Desde o ano passado, o sujeito percorre com sua banda os grandes, médios e pequenos festivais. Ex-hippongo barbudo folk no Fleet Foxes e atual barbudo hipster do indie americano, J. Tillman, ou Josh Tillman, ou Father John Misty himself, artista prediletíssimo da Popload, está em curso com uma tour americana no momento. Sábado ele toca na Filadélfia. Sobre o atual momento de sua turnê, a revista hoje eletrônica “Spin” fez um perfil bacana com ele, aqui, que faz seu nome reverberar no indie ianque junto com a capa acima da “Magnet”. Veja a “capa” da “Spin”.

Bom, nesta semana o Father John Misty lançou ainda um AFLITIVO vídeo de desastre com um avião para mostrar sua bela “Funtimes in Babylon”.

A música está no disco “Fear Fun”, a estreia de seu projeto FJM, lançado no ano passado pela Sub Pop. O álbum é bem bom, mas, digamos, produzidinho demais. Mas ao vivo Father John Misty é espetacular, magnético. Sua banda é boa e sua postura de dançarinho weird-estiloso no palco é demais. Se você não ligar muito para os discursos irônicos que só ele ri e entende, é um baita show para se ver JÁ.

O vídeo de “Funtimes in Babylon” dá nos nervos, mas a sacada do final alivia a barra. É uma, claro, crítica ácida de Josh Misty para Hollywood, a quem chama de Babylon. O resultado é incrível. Father John Misty só faz vídeo bom.

Faz dois finais de semana, Father John Misty se apresentou no Sasquatch, o festival no topo oeste dos EUA que a Popload foi conferir, perto de Seattle e Portland. Deste show, muito prejudicado pelo som dessaranjado na hora (o FJM tocou não no palco lindo do desfiladeiro), consegui graças ao Youtube um vídeo bom de “Only Son of the Ladies’ Man”, outra faixa f*da de seu disco de estreia. Repara no requebrado do rapaz, uma de suas marcas registradas.

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Começa hoje, com 127 bandas, o emergente Sasquatch, um festival “monstruoso” e de visual absurdo
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Lúcio Ribeiro

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* Popload em Seattle, indo para Quincy, WA

* Mais sobre o Sasquatch, festival que começa logo mais no espetacular Gorge Amphitheatre, um desfiladeiro entrecortado pelo rio Columbia, e só termina na segunda-feira à noite, por causa do feriadão americano.

Escrevi um textão hoje que foi publicado na Ilustrada, da Folha de S.Paulo, e recoloco ele aqui, na íntegra, aproveitando a não-limitação de espaço que temos aqui na internet.

A parada desse festival é a seguinte:

* Alternativa para os alternativos, começa nesta sexta-feira às 4 da tarde (8 da noite no Brasil), em Quincy, no Estado de Washington, no extremo noroeste dos EUA, o Sasquatch Festival, um dos eventos musicais que mais cresce em território americano, hoje em dia o país dos festivais. Até 2000, quase não tinha nenhum. Só experimentos que ficaram pelo caminho e sem regularidade, tipo Lollapalooza, Woodstock e outros, não botando nesta conta a Warped Tour. Festival gigante, sempre foi, coisa de inglês.

Com um visual mais bonito que o do Coachella, uma escalação mais bem selecionada (do ponto de vista independente) que o Lollapalooza de Chicago, o Sasquatch Festival acontece até segunda-feira próxima, com quatro dias, quatro palcos e 127 atrações invadindo o feriado do Memorial Day, dedicado aos combatentes de guerra americanos.

Conhecido como o festival ianque mais “paz e amor” e de “boas vibrações” (isso desde bem antes de a maconha ser legalizada para uso recreativo no Estado), o Sasquatch acontece numa região que dista perto de três horas de carro de Seattle e um pouco mais que isso de Portland (Oregon), duas das cidades indies mais vivas dos EUA.

As bandas tocam na cercania paradisíaca onde fica o Gorge Amphitheatre, área para eventos que tem como cenário o belo vale do rio Columbia, com seus desfiladeiros e gramados. The Who e David Bowie já se apresentaram no lugar. O Lollapalooza, quando era itinerante nos anos 90, passou por lá. E o Pearl Jam já lançou um disco ao vivo gravado no Gorge Amphitheatre.
O Sasquatch começou em 2002 com um dia de duração e um elenco de atrações que não ia muito além de Jack Johnson e Ben Harper e um par de outros nomes pequenos.

Sasquatch, o nome, vem da lenda local, é uma criatura selvagem que habita as florestas frias e soturnas de árvores altas desta parte dos EUA e até o Canadá. É tipo um macaco gigante, que vira e mexe é “visto”, caçado, sai nos jornais depoimentos. Pessoas juram que já encontraram um Sasquatch, mas nunca conseguiram capturá-lo. No Brasil, é conhecido como Pé-Grande. Dizem que ele tem parentesco com o “Abominável Homem das Neves” do Tibet. Expedições já saíram à caça do homem-macaco. Mas sempre voltaram de mãos vazias.

O Sasquatch Festival tem cinco palcos, todos com referências à “fera”: Sasquatch, Bigfoot, El Chupacabra, Yeti e Cthulhu.

Em fevereiro deste ano, uma semana depois de anunciar sua centenária lista de bandas, o festival esgotou seus cerca de 35 mil ingressos (tamanho indie perto dos 80 mil/dia do Coachella) em pouco mais de meia hora.
As atrações 2013, carregada de rock mas que também vai do eletrônico fino ao hip hop desbocado, estão encabeçadas por bandas que são consideradas “médias” em lista de outros grandes festivais americanos, tipo as locais Postal Service e Macklemore & Ryan Lewis (dupla cada vez mais gigante na cena hip hop mundial), o indie-afro nova-iorquino do Vampire Weekend, experimentalismo islandês do Sigur Rós e o folk britânico do Mumford & Sons.

Mas é no recheio que o Sasquatch brilha. O Sasquatch é um dos poucos festivais em que as pessoas olham os headliners e decidem se vão ou não. Eles vão pelas bandas de meio de lista para baixo. É característica do festival.

O delicado grupo The XX, os veteranos Built to Spill e Elvis Costello, mais Tame Impala, Azealia Banks, Arctic Monkeys com músicas novas, Andrew Bird, The Lumineers, Edward Sharpe, Divine Fits, Devendra Banhart e Father John Misty estão entre as muitas atrações deste ano.

E a gente vai contar um pouco aqui na Popload como está sendo e como foi o Sasquatch 2013.

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Father John Misty e a conquista da América
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Lúcio Ribeiro

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* Você sabe, a gente por aqui é meio obcecado por Father John Misty, banda-persona de Josh Tillman, que assina também J. Tillman, vocalista, às vezes guitarrista, que um dia foi baterista do Fleet Foxes, banda indie-folk de Seattle. Um verdadeiro Dave Grohl na trajetória, guardado as devidas proporções.

Father John Misty, o sujeito no sol aí em cima, fez um dos álbums mais legais do ano passado, o de estreia do projeto, mas acaba que seus shows SÃO MUITO MAIS LEGAIS. Porque sua banda boa pesa a mão ao vivo e porque Tillman é performático, daqueles líderes de banda que realmente interpreta a música que está tocando, sente as canções como se fosse a primeira vez (ou a última) que está cantando e tudo mais. É meio orador de show, tipo o Wayne Coyne do Flaming Lips. Fala, fala, fala.

Teve um site que fez até seus melhores 10 “quotes” durante os shows do Coachella. Entre eles estavam:

–”Sometimes I wish I could perform in a robot helmet.”

–”You guys hear about the Father John Misty hologram? But it was actually an android, performing while Josh [his real name] sat and drank in L.A. He had the same bad humor, too.”

–”We’re about to play some real sh-t. Please welcome R. Kelly to the stage.”

–”I really wanna play one more song, but first I’m gonna start drinking this beer.”

Às vezes eu acho as músicas do Father John Misty tipo aquelas lindas de morrer de FM dos anos 80, quase jeca mas bem bonitas, que minha geração chegada ao punk negava até o fim, mas que depois passamos a achar cool as fuck quando a “fúria” musical toda passou. Enfim.

Daí que o Father John Misty tocou no Coachella, domingo, e queremos botar aqui uns vídeos da apresentação. A banda, desde que foi formada no ano passado e apareceu com uns vídeos maravilhosos, tem feito um caminho fulguroso por festivais e lugares legais, tudo em cima do disco de estreia. Tocou no Sxsw do ano passado, fez shows bombadinhos em Nova York, Los Angeles e San Francisco, se apresentou Fuck Yeah Festival da Califórnia, garantiu performance no barco do Coachella (foto acima), no caminho das Bahamas. A gente viu alguns desses.

Agora, na esteira de sua apresentação nos dois últimos finais de semana no famoso festival do deserto, ele anunciou de modo inteiro toda sua loooooooonga turnê americana por cidades e festivais. Começa dia 3 de maio em Tucson, Arizona. O de Nova York, no Maxwell’s (desculpa, New Jersey), dia 17/5 está esgotado há tempos, e já tem um outro marcado em julho no imponente Terminal 5. Daqui para agosto, vai elencar performances em festivais tipo Sasquatch!, GoogaMooga, Lollapalooza, Bonnaroo, entre outros. Vamos ver qual o moral que o cara pega com essa estrada toda.

Alguns vídeos do Father John Misty anteontem e na outra semana, no Coachella.

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A música em “Californication”, por Hank Moody
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Lúcio Ribeiro

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* Não é possível não amar uma série tão torta e amoral como “Californication”. O seriado, que tem o ex-santo de “Arquivo X” e hoje putanheiro incontrolável David Duchovny, está na sexta temporada, no comecinho. Domingo passou o terceiro episódio. E ele é centrado no funeral de um astro do rock. A história, tenta acompanhar, é assim, vou tentar resumir:

Hank Moody está num rehab, mas ganha uma licença do “aprisionamento” para acompanhar uma paciente, groupie, a ir no tal funeral do rock hero, que inclusive morreu na cama ao lado dela.
Seria estranho ela aparecer sozinha no lugar, porque ele era casado, portanto moody vai de “acompanhante”. Para entrar na cerimônia, numa área de um cemitério, era preciso ter o nome na lista (haha). O funeral do roqueiro era uma balada. A menina consegue xavecar o segurança e entra, mas Moody tem que ficar esperando do lado de fora. Foi barrado.
Mas depois ele consegue um passe vip e vai resolver “um problema” da garota, a ponto de assistir o roqueiro morto aparecer em holografia (foto acima). Ele tinha gravado uma mensagem em vídeo para o provável dia que ele morresse, que acabava com um solo de guitarra metal.
Está acompanhando ainda, haha.

Muitas confusões e trapalhadas no velório depois, todo mundo acaba numa festa “de arromba” na casa de outro roqueiro famoso, o melhor amigo do morto. Mais trapalhadas e o episódio termina aumentando o volume de uma música que segue embalando as cenas finais na casa.

A música é a maravilhosa “Hollywood Forever Cemetery Sings”, da predileto-da-casa Father John Misty, banda incrível do Josh Tillman, ex-Fleet Foxes, e atração eterna radiofônica da SiriusXM U, a melhor emissora do mundo, e atração ainda do próximo Coachella Festival.

Veja o episódio, veja a série. E relembre como é o vídeo da absurda “Hollywood Forever Cemetery Sings”, do Father John Misty, uma das grandes músicas de 2012 segundo um blog que eu frequento.

We should let this dead guy sleep /
we should let this dead guy sleep.

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Vídeo conta tudo do Coachella nos sete mares: os shows, a piscina, o gramado (!) no navio, a Popload na água
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Lúcio Ribeiro

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* Sobre o SS Coachella, falei rapidamente do que rolou, há algumas semanas, no finalzinho de 2012. Chegou a hora de mostrar.

* Uma das coisas mais bizarras da minha vida foi ter participado desse Cruzeiro do Coachella, um dos principais festivais do mundo em versão navio, singrando em mar aberto. Saiu de Fort Lauderdale (colado a Miami) e foi até Nassau, nas Bahamas. Durante os três dias que durou a viagem, teve piscina com DJs luxos tocando entre um tchibum e outro, shows de nomes como Pulp, Hot Chip, Grimes, Black Lips, Father John Misty, Simian Mobile Disco, Sleigh Bells, Yeasayer e tudo mais. Teve discotecagens de James Murphy, Girl Talk, Gaslamp Killer, DJ Harvey, Rapture e tudo mais. Tinha vários restaurantes e cafés a bordo. Comida e bebida 24 horas. Tinha cassino, a bordo. Tinha spa a bordo. Quadra de basquete. Free Shop. Gramado (!). Loja da Apple (!!). Tinha coisas que eu nem vi que tinha.

O show acontecia em dois lugares, dentro do navio. Num teatro tipo “mini-Brixton Academy” maior que o Cine Joia. E num palco num salão atrás das piscinas transformado em clubinho cool. DJs na piscina tocando ao visua de final de tarde no Caribe.

Não fui só eu que achei tudo bizarro. Cada banda que ia se apresentar, antes do show, tascava um discurso inicial dizendo o quão estranhamente incrível era aquela aventura de fazer um festival desses sob as águas, com bandas e públicos “presos” no mesmo lugar por praticamente 60 horas, todo mundo em bar, todos em restaurantes, fazendo refeição lado a lado, nos bares pedindo bebida, todos em trajes de banho, depois todos “vestidos” para a “night”.

Uma das 1000 coisas que diferenciam o Coachella no mar do Coachella na terra, para citar um exemplo do mesmo festival, é que, no navio, depois de ver tudo, ouvir tudo, beber tudo, comer tudo, era só pegar um elevador rápido que você logo estava no seu quarto. Sem perrengue, andadas, estacionamento, estradas. O dia seguinte lá estava você de novo, pronto para mais.

Um amigo, companheiro de viagem, o Lucio “Lucioland” Caramori, editou um vídeo nosso que conta toda a história do que foi o SS Coachella. Em cinco minutos. Da chegada ao porto até a hora de deixar o navio. Ficou tão bom o vídeo que nem acredito que foi ele que filmou e editou. E, cuidado, spoiler alert, eu apareço debaixo d´água. Esteja avisado.

Guarde seu dinheiro para o cruzeiro do ano que vem, se o Coachella repetir a iniciativa. É tipo histórico.

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Os Melhores do Ano na Popload – “Discos Internacionais”
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Lúcio Ribeiro

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* Popload em Miami, Flórida. Este post está começando a ser escrito de dentro de uma Target.

* Chegou a vez da lista de melhores do ano, quesito “Disco Internacional”. Essa aqui deu briga até no QG da Popload, imagina fora. Já vou logo avisando: “Coexist”, segundo do XX, ficou de fora. Pode chiar.

* Disco do ano aqui é o “disco do ano” em vários outros lugares. Pooooonto para o Tame Impala. Kevin Parker e amigos brilharam absurdo com o segundo álbum, “Lonerism”. O mundo precisava de mais psicodelia, acho. E psicodelia australiana, ainda por cima. Esse disco do Tame Impala é papo velho com cara de novo. Não se trata de copiar o que foi feito “lá atrás”. É a onda, que volta. Até as músicas lados-B deles são boas. As faixas que ficaram fora do disco são boas. Os vários remixes eletrônicos para os rockão do Tame Impala são bons. Crianças cantando faixa de “Lonerism” ficaram demais. Os shows deles mostrando as novas canções elevaram a alma. Não teve jeito.

E olha que por teeeempos fiquei achando que o disco de estreia de Lana Del Rey, que teve dois lançamentos no ano, ia levar essa de “melhor de 2012″. Ok, teve algumas músicas pouco descartáveis no álbum. Mas, na média, é sensacional. Primeiro porque Lana é bem polêmica por motivos extra-música e muita gente não gosta de seu som. Isso é sinal de que ela é realmente boa, às vezes. Mas, tal qual o Tame Impala, remete ao passado mas super tem a cara do “hoje”. É um som visual. As letras de Lana del Rey são sensacionais, linha a linha. Bem “encaixadas”, são espertas nas revelações de espírito de uma garota pós-adolescente comum, à procura do amor ideal que quase sempre não está perto, nem existe. Ela mesmo encontra a razão, talvez, quando canta “Você é tipo punk rock e eu cresci no hip hop”. Entende a Lana? Sua voz é foda, cheia de personalidade. Lana é… Bom, chega.

O disco do Father John Misty talvez seja a “novidade” do topo da lista. Mas o novo dândi desajeitado do pós-folk é muito melhor apresentando suas canções ao vivo, incrementando com sua ótima performance e entrega. Mas chega alto na lista porque seu disco realmente é um punhado de música linda, que nem o “esmero” coxa de estúdio estragou. De resto tem o magnânimo Jack White com o disco de duas bandas, o trio indie-indie americano Grizzly Bear, Dirty Projectors e Beach House, com obras-primas lindas, cada uma no seu ritmo e representando ou o Brooklyn (NYC) ou pelo menos um certo lado dos EUA musical.

Para não falar que a gente não deu bola para os ingleses, tem o disco de estreia do Howler. Que é americano, haha (risos contidos). Os caras de Minneapolis são muito “brit” na sonoridade. Sim, tem o Hot Chip inglês para salvar os ingleses e a dance music cool. E, se tem o frescor do Howler, tem o frescor também do Leonard Cohen.
Bom, vamos logo à lista antes que eu troque o Tame Impala de lugar com a Lana Del Rey. Aí sim a galera ia chiar…

**** MELHORES DISCOS INTERNACIONAIS

1 – “Lonerism” – Tame Impala

2 – “Born to Die” – Lana Del Rey

3 – “Fear Fun” – Father John Misty

4 – “Shields” – Grizzly Bear

5 – “Blunderbuss” – Jack White

6 – “Old Ideas” – Leonard Cohen

7 – “Bloom” – Beach House

8 – “Swing Lo Magellan” – Dirty Projectors

9 – “America Give Up” – Howler

10 – “In Our Heads” – Hot Chip

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Bandas ao mar. Popload no cruzeiro do Coachella, nas Bahamas
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Lúcio Ribeiro

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* Popload de volta a São Paulo. Mas por pouco tempo…

* Olha. Eu já andei por festivais por todo canto, nesta minha vida de jornalista musical. De Rio Branco (Acre) a Nancy (França). No Popload Gig ou no Reading Festival. Festival de rua como o CMJ, o Great Escape e o South by Southwest e festivais-festivais, como Abril pro Rock, Goiania Noise, MECA e Coquetel Molotov (para citar brasileiros) e Sónar, Primavera e Benicassim (para citar espanhóis).
Mas, como esse Coachella no navio, nunca tinha vivido coisa igual. Mothaf*ckin’ indies on a mothaf•ckin’ boat!!

(((O texto abaixo, em versão reduzida, saiu hoje na cobertura do SS Coachella para a Folha de S.Paulo)))

O naviozão que abrigou o Coachella sob as águas do Caribe. Tinha uns 12 andares circuláveis, com restaurantes, quadra de basquete, academia de ginástica, cassino e galeria de arte, fora tooooooooodo o resto

* Foi no mínimo bizarro. Ou, melhor dizendo, foi uma “viagem”.
Um dos mais badalados eventos de música “em terra” do planeta, o californiano Coachella Festival experimentou nesta semana uma edição especial num navio, navegando de Miami até Nassau, nas Bahamas e voltando, com uma programação intensa de três dias com bandas, DJs e “outras atividades”.

Na verdade, são duas as edições especiais sob as águas, com o nome SS Coachella. Uma que aconteceu de domingo a quarta cedo até as Bahamas, no mar do Caribe, na qual a Popload esteve a bordo, e uma outra que neste momento está em curso, levando a mesma programação a bordo, só que até a Jamaica.

Jarvis Cocker em pose de rock star comandando o Pulp no primeiro show do teatrão do navio no Coachella ao mar. Foto Ian Witlen (“OC Weekly”)

Grandes bandas da música independente nova e mais antiga, como os britânicos do Pulp e Hot Chip, os indies americanos Sleigh Bells, Grimes, Cloud Nothings e Yeasayer, mais discotecagens de um tal de James Murphy, Girl Talk,  DJ Harvey, o incrível Gaslamp Killer e a banda-de-DJs The Rapture foram alguns dos nomes que fizeram performance no balanço do mar, dentro do Celebrity Silhouette, um navio que é um verdadeiro hotel que navega, contendo em sua dependências um teatro, clubes, bares, cassino, restaurantes, biblioteca, ala de compras, loja da Apple, spa, academia de ginástica, galeria de arte, uma extensa área com gramado para shows “acústicos” e DJ sets ao ar livre e um dormitório para 2800 pessoas, fora a tripulação.

Ao todo, contando artistas, convidados e público pagante (os quartos iam de US$ 500 os mais simples a US$ 9.000, a suíte com varanda), estiveram a bordo cerca de 2000 pessoas.

Galera em volta das duas piscinas do navio do Coachella, durante o dia. Tinha DJ quase 24 horas tocando na piscina. Entre eles DJ Harvey, Gaslamp Killer e os caras do Rapture. Foto de Ryan Downey (“Billboard”)

“Os primeiros Coachella também não esgotaram”, lembrou Paul Tollett, um dos fundadores do festival que acontecia em dois dias no deserto da Califórnia e hoje ocorre em três, durante dois tumultuados finais de semana seguidos em que os ingressos desaparecem assim que são colocados a venda. “O que vale é a experiência”, defendeu Tollet.

A “experiência” a que o produtor se refere vai além de “ver shows”. O cruzeiro do Coachella oferecia shows e discotecagens, sim, mas entre um e outro, a uma distância de elevador de no máximo 15 andares, um dia de sol na piscina, vai-e-vem a bares e restaurantes (com bandas circulando entre os passageiros porque não tinha muito lugar para ir, ali no mar), e o que faz a diferença numa maratona intensa comum de festival: cansou de tudo? Se acabou? Não aguenta mais? Ande até seu quarto e vá dormir!!!!
É o sonho de quem frequenta festival. Desaparecer rápido de cena.

Entre a programação além-performances, mediante inscrições, teve degustação de vinhos com James Murphy, debate com os organizadores do Coachella, aulas de DJ, sessão de cinema apresentada pelo Girl Talk, leitura de peças literárias com o J. Tillman, do Father John Misty, drinks Bloody Mary matinais preparados pelas meninas da banda Warpaint.

Galera no teatro do Celebrity Silhouette esperando pelo show do Yeasayer

Ah, sim. Os shows… O Pulp foi uma apresentação incrível de duas horas. Jarvis Cocker contou as mesmas historinhas que embalaram a apresentação do Pulp recentemente no Brasil. Fora as piadas sobre estar tocando no mar. Mas que gás foi o show deles no navio. Parecia banda de meninos. O frescor marinho rejuvenesce. E Jarvis Cocker, superbem vestido à là Jarvis Cocker, blazerzinho inglês sobre camisa abotoada até em cima, circulando para lá e para cá na piscina com todo mundo de traje de banho, no máximo uma bermuda + Havaianas, era bonito de se ver. Jarvis é um ser especial, mesmo.

O Hot Chip foi inesquecível. Banda que é uma em estúdio e outra ao vivo, ambas muito boas, começou de maneira morna, mas logo pegou ritmo na junção eletrônica-orgânica e o show foi tipo estupendo.

Grimes, no clubinho, vi duas vezes. Muito alto, muito bom. A última vez que eu vi o cabelo era curto e loiro. Agora está comprido e escuro. Botou duas dançarinas sensualizando o bizarro. E sua voz está firme, indo para lugares etéreos com naturalidade que desde o Cocteau Twins não se via.

Mas, sou suspeito para falar, o Father John Misty arrasou. Tanto no show com banda no clube do navio, como no acústico, ele e violão, num “gramado Coachella” que tinha no deck do navio. Meio folk, meio grunge, meio Jonathan Richman, meio um Alison Mosshart masculino. Hipnótico e estiloso. O vídeo abaixo fala por si só.

O Hot Chip em ação no SS Coachella, em hora que o navio ia pra lá, vinha pra cá, mas tudo beleza

James Murphy foi lindo em sua discotecagem indie-disco. Chamou todo mundo para o palco do teatro do navio, que eu calculo ter lugar para umas 2000 pessoas.

O Girl Talk quase afundou o navio com seu festival de mashup incrível. Mas incrível mesmo é como a piada dele não acaba nunca. Sempre explosivo, sempre criativo.

O bom do navio é que você conseguia sempre chegar na hora dos shows e conseguir um excelente lugar para ver, tanto no teatro quanto no clube.

James Fucking Murphy comandando uma degustação de vinho a bordo do Coachella dos mares. Foto de Ryan Downey (“Billboard”)

“E aí, navio?”, saudou o vocalista do Yeasayer no início do show da banda no lindo teatro do Silhouette. “Vamos falar a real: isso aqui é totalmente esquisito. Estou me divertindo. Sério mesmo, está sensacional”, resumiu tudo, logo no primeiro dia.

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Sorry: Father John Misty fazendo cover de Flaming Lips
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Lúcio Ribeiro

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* Desculpa voltar tão cedo ao assunto Father John Misty, mas um leitor me passou e estou devolvendo aos leitores. Nosso herói FJM fez meses atrás uma cover de Flaming Lips em session especial para o site “A.V. Club”, parte cultural do famoso jornal “The Onion”, tablóide que zoa política, economia e sociedade, distribuído encartado em jornais, em tablets e vendido por tipo 2 dólares nas principais cidades dos EUA e Canadá. Mas o “A.V. Club” é sério.

A seção da internet deles tem session de bandas chamada “Undercover”. Convidam músicos para tocar uma versão de música famosa que está numa lista preestabelecida por leitores do jornal. E o Father John Misty (nome da banda e da persona de J. Tillman) apareceu em julho tocando a maravilhosa “Do You Realize?”, dos Lips.

Ficou assim:

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“Traz o Father John Misty”
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Lúcio Ribeiro

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* Eu recebo, todos os dias, pelo menos umas 942 abordagens do tipo “Traz o Fulano para o Popload Gig”, “Traz Beltrano para o Cine Joia”. Juntando tudo, daria para fazer um Coachella semanal aqui em São Paulo. Galera não sabe A TRETA que é trazer banda para o Brasil. Do momento que se manda o primeiro email para começar uma negociação até a hora em que a banda sobe no avião para ir embora. Mas normal, acostumei, estamos nessa mesmo.
Ontem, em meio ao show da Feist, exatamente “Popload Gig no Cine Joia”, fui parado por uma menina muito empolgada pedindo para trazer o Father John Misty. Muito.
“Traz ele de algum jeito. Traz solo. Nem precisa trazer com banda. Ele com violão. Mas traz”, repetindo o texto durante uns cinco minutos. Foi o pedido mais enfático que eu recebi nas últimas semanas.

Adoro Father John Misty. Pensei que eu era o único. E essa intimada no Joia me fez ir ver o que o músico americano anda fazendo por estes dias.

Father John Misty é a persona assumida por J. Tillman para dar uma mudada na carreira. Era o plano A que virou plano B e agora virou plano AAA. Tillman é ex-baterista da banda indie Fleet Foxes e foi músico de apoio de alguns artistas e tal. Largou tudo, fez a barba, cortou o cabelo, pegou a guitarra, assumiu os microfones. Transformou-se numa espécie de Dave Grohl indie-indie-indie. E fez um dos cinco melhores discos deste ano, “Fear Fun”, lançado em abril/maio.

Misty pode ser resumido assim: letras profundas de rasgar coração, sonzinho indie-rock-folk básico porém classe demais, dancinha style ao vivo.

Nessa verificada de a quantas anda o Father John Misty, vi que o cara está confirmadaço no próximo Coachella Festival, na Califórnia. Que ele tocou ontem na meca indie Music Hall of Williamsburg, no Brooklyn, NYC. Que HOJE faz show no Bowery Ballroom, em Manhattan, outro templo indie. Para ontem e para hoje, ingressos esgotadaços há tempos. Por conta disso, já tem show marcado em lugar maior de Nova York em janeiro, no Webster Hall, aumentando a responsa dele. Esse show de janeiro faz parte de uma outra e desta vez grande turnê americana (Canadá incluído) que ainda está por ser divulgada. Essa de agora dia 3 de novembro em Salt Lake City e ainda tem uns sete shows.

Da movimentação atual ilustrada de Father John Misty tirei o seguinte. Uma foto de instagram do show de ontem no Brooklyn, NYC; (2) o vídeo da maravilhosa “Nancy From Now On”, ao vivo no festival Austin City Limits semana passada, no Texas; e (3), mais distante no tempo, uma apresentação dele em maio na TV, no programa do David Letterman, em que executa outra incrível, “Only Son of the Ladiesman”.

Alguém traz o Father John Misty para o Brasil, please. Alô, Popload Gig!!

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Father John Misty ao sol da Califórnia
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Lúcio Ribeiro

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* Ainda sobre o FYF, festival indie pequeno rumo ao indie gigante que acontece anualmente em Los Angeles, na Califórnia, resgatei das minhas gravações outra performance do incrível Father John Misty, showzão no sol ardente, meio da tarde, cantoria folk-indie com personalidade própria que fez de seu primeiro disco, “Fear Fun” (Sub Pop, lançado em maio), ser um dos melhores do ano, fácil fácil.

No vídeo, Misty canta “Only Son of the Ladies’ Man”, indescritível na beleza da canção em si e no coração com que o cantor entrega à música.

A Popload esteve no Fuck Yeah Festival agora no comecinho de setembro, dias 1º e 2. Foi à convite da marca brasileira Chilli Beans, uma das patrocinadoras do evento americano, friso as nacionalidades para você ter mais um exemplo do status quo da economia mundial.

Sobre Father John Misty, você já leu bastante por aqui. Sobre o FYF também. Então resta você ver essa belezura de música, ao vivo, no sol da Califórnia, abaixo.

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